A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer banir a comercialização de todas as drogas usadas para emagrecer que atuam no sistema nervoso central: a sibutramina e os derivados de anfetamina (femproporex, dietilpropiona e mazindol). A única droga para o tratamento da obesidade cuja venda deverá continuar liberada é o orlistate (Xenical), que atua diretamente no intestino, reduzindo em cerca de 30% a absorção de gordura.
Desde o ano passado, a Anvisa vem impondo novas regras que endureceram os critérios de venda da sibutramina. Ela deixou de ser vendida como medicamento comum e passou a integrar a categoria dos anorexígenos, remédios que exigem receita especial.
A partir de um relatório de 90 páginas, a equipa técnica da Anvisa argumenta que o medicamento traz mais riscos que benefícios. A Anvisa baseia-se nos resultados do Scout, um estudo realizado com 10.000 pessoas com mais de 55 anos, durante seis anos. O estudo revelou que o uso da droga aumentava em 16% as probabilidades de risco cardiovascular.
Os médicos admitem que esses fármacos acarretam riscos — como qualquer medicamento, aliás. Mas alegam que, ao optar pela proibição, a Anvisa confunde efeitos secundários com contra-indicações específicas a determinados grupos de doentes. Ou seja: é possível controlar os riscos a partir do acompanhamento do histórico e da evolução dos doentes.
Princípios ativos que poderão ser proibidos
Sibutramina
Marcas mais conhecidas: Plenty, Sibutram e Sigran
Mazindol
Marcas mais conhecidas: Fagolipo, Modeline e Absten S
Anfepramona (ou dietilpropiona)
Marcas mais conhecidas: Dualid S, Hipofagin S, Inibex S
Femproporex
Marca mais conhecidas: Desobesi-M
Decisão sobre medicamentos para emagrecer no Brasil é adiada
Após seis horas de audiência pública, convocada na quarta-feira (23/02) devido à proposta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira (Anvisa) de banir os medicamentos para emagrecer, membros de sociedades médicas, da Indústria Farmacêutica e outros representantes mostraram-se contrários à opinião da entidade reguladora. Por isso, a proibição, programada para o início de Março, deverá ser suspensa.
Durante a audiência, a posição da Anvisa foi contestada pelos médicos presentes. Durante cerca de dez minutos, Ricardo Meirelles, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, defendeu a continuidade desses medicamentos no mercado. Um dos principais argumentos apresentados foi que o Scout, que foi a base da proibição da sibutramina pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), foi baseado em dados de doentes que já apresentavam riscos de problemas cardiovasculares e diabetes – fato que impediria a indicação do medicamento, segundo a bula.
Os médicos expuseram a preocupação com o que aconteceria com pessoas que já beneficiam do uso do medicamento e com aquelas que nem poderão utilizar, devido à possível proibição. “Pelo bem dos obesos, que os fármacos sejam mantidos, mas que a Anvisa exerça um rigoroso controlo sobre a venda”, afirmou Henrique Suplicy, da Associação Brasileira de Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Outro argumento, amplamente defendido, foi o possível crescimento do mercado paralelo e o contrabando de medicamentos.
No fim da audiência, Maria Eugênia Cury, da Anvisa, disse que todos os argumentos propostos seriam considerados. “É verdade que o Brasil tem uma realidade própria, mas precisamos estar atentos ao que acontece nos processos regulamentares de outros países”, disse. “Retirar medicamentos do mercado não é uma situação simplista, não é fácil. Precisamos aprofundar sobre isso”, concluiu.
(Fonte: Internet Diversos)
